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VII Simpósio da Unimed Cerrado discute mudanças no modelo de assistência à saúde

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Para o gerente médico e especialista clínico da BMJ no Brasil, Ricardo Cypreste, compartilhar experiências no simpósio é fundamental para construir um modelo próprio. “Não existe uma receita de bolo, mas quando analisamos as experiências de outros países e regiões do Brasil, construímos algo mais adequado para a nossa realidade. Os projetos de administração e governança são criados assim”, lembrou Cypreste, que foi responsável pela explicação do modelo de atenção à saúde na Inglaterra.
 

O coordenador nacional para reforma do Serviço Nacional de Saúde na área dos Cuidados de Saúde Primários do Ministério da Saúde de Portugal, Henrique Botelho, explicou que a reforma na saúde pública de Portugal começou após reflexão dos responsáveis pelos sistemas em relação a outros modelos mais interessantes que encontraram em outros países. “Começou, então, a busca por um novo perfil de profissional e um sistema que atendesse às necessidades das pessoas e que não fosse centrado na doença, mas na saúde”, afirmou o médico.
 

Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e médico de família da Unimed Belo Horizonte, Daniel Knupp Augusto, falou sobre a atenção à saúde na Espanha e afirmou que os médicos de família e pediatras são os especialistas mais presentes no atendimento prestado naquele país. “Para cada mil habitantes, existe 0,8 médico na atenção primária. É um indicador adequado e precisamos pensar nesse número ao discutirmos o que iremos oferecer no futuro por meio do sistema Unimed”, disse.
 

Nas palestras nacionais, o gerente de Estratégias e Regulação de Saúde da Unimed Paraná, Marlus Volney Morais; o superintendente de Atenção à Saúde da Unimed Vitória, Paulo Magno do Bem Filho; o diretor-superintendente da Federação das Unimeds de Santa Catarina, Jauro Soares; e o diretor de Provimento de Saúde da Unimed Belo Horizonte, José Augusto Ferreira, apontaram projetos que deram certo em suas localidades, com destaque, mais uma vez, para atenção integral a saúde.
 

Marlus Volney, por exemplo, destacou que o modelo adotado pelo Paraná tem por finalidade resgatar a atenção centrada no paciente. “Uma das características importantes é que a gente deixa de focar na doença e começa a olhar o paciente como um todo, às vezes não é nem uma doença e sim uma necessidade que precisa ser atendida e não é só o paciente em si, mas todo o contexto, o emprego e local onde ele trabalha, a família, o convívio, pois isso permite que possamos observar a pessoa mais integralmente e alcançar melhores resultados”, afirmou.
 

Os desafios da mudança do atual modelo de atenção à saúde foram debatidos em Goiânia (GO), nos dias 1º e 2 de dezembro, durante o VII Simpósio da Unimed Cerrado. O evento, promovido pela Unimed Cerrado e realizado na sede da Sicoob UniCentro Brasileira, reuniu um público atento e formado por lideranças, gestores e técnicos do Sistema Unimed, representantes de órgãos públicos, de instituições de saúde e do setor hospitalar privado, médicos e acadêmicos de medicina, todos interessados em discutir essa mudança que se mostra cada vez mais necessária.

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A fim de construir pensamento crítico sobre o assunto, foram apresentadas, por meio de palestras, experiências bem-sucedidas de atenção à saúde da Espanha, Inglaterra e Portugal. Além disso, foram expostos também trabalhos realizados pelo Sistema Unimed no Paraná, Vitória (ES), Santa Catarina e Belo Horizonte (MG). A prioridade à atenção primária à saúde foi o grande destaque do simpósio, citada por todos os palestrantes como principal alvo das mudanças necessárias no sistema.

O panorama atual, desafios e perspectivas do Sistema Unimed

Na abertura das atividades do VII Simpósio da Unimed Cerrado, o vice-presidente da Unimed do Brasil, Orestes Barrozo Medeiros Pullin, falou sobre o desempenho nacional e regional do Sistema Unimed, abordando também a necessidade de mudança do modelo assistencial para a sustentabilidade das cooperativas.

Para Pullin, a exigência de reduzir despesas é um dos pontos que destacam essa necessidade de mudança. “Todos os anos, reajustamos o custo para o contratante de serviços, mas nossas despesas crescem na mesma proporção. Com isso, temos dificuldade de sair do lugar, apesar do espaço de crescimento ser muito grande”, explicou. Ainda segundo o vice-presidente, os resultados da discussão sobre o modelo não serão vistos em breve, pois requerem uma mudança cultural.

 

De acordo com dados divulgados por Pullin durante a palestra de abertura dos debates do simpósio, o Sistema Unimed representa 38% do setor privado de saúde suplementar no País. O vice-presidente lembrou a responsabilidade que está nas mãos dos dirigentes e parceiros da Unimed. “Maior que resultado financeiro, é preciso criar um sistema sustentável”, disse.

O presidente da Unimed Brasil, Eudes de Freitas Aquino (foto), que ministrou a palestra de abertura oficial do simpósio, enfatizou a necessidade de transformar o sistema para que os profissionais se tornem promovedores de saúde e não cuidadores de doença. “Poucas pessoas entendem a Unimed como ela é. Somos uma cooperativa de médicos. Precisamos ser reconhecidos por quem nós somos. É preciso repensar o modelo e colocar um programa novo em prática em todas as regiões do Brasil”, disse.

“O simpósio cumpriu seu papel”, dizem diretores da Unimed Cerrado

Para o presidente da Unimed Cerrado, José Abel Ximenes (foto), o simpósio cumpriu seu papel. “A intenção era discutir uma nova forma de organização da prestação de serviços na área do setor saúde e avançamos neste debate, analisando modelos implantados com sucesso na Inglaterra, em Portugal, na Espanha e em Estados brasileiros”, afirmou, ressaltando que os profissionais precisam aceitar as mudanças e cabe às diretorias proporcionar esta transformação no sistema. “Vivemos em um contexto completamente diferente de quando começamos. Se não mudarmos, vamos ficar para trás”.

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Diretor Administrativo-Financeiro e de Regulação da Federação, Danúbio Antonio de Oliveira, concordou. “O simpósio cumpriu seu objetivo de discutir o modelo assistencial, o que tem que ser feito, pois o atual está mostrando que não vai se sustentar por muito mais tempo. Tivemos palestrantes de alto nível e debates enriquecedores, então podemos comemorar o sucesso total do evento”, disse.

Walter Cherubim Bueno, diretor de Integração e Desenvolvimento Cooperativista, observou que o Sistema Unimed, que vai completar 50 anos, já está percebendo que precisa mudar para assegurar sua sustentabilidade no mercado e as experiências de mais de meio século implantadas nos países europeus e apresentadas no simpósio podem contribuir para essa mudança. “Os modelos dos outros países não serão copiados, mas poderão inspirar nossas mudanças, com adaptações às peculiaridades das cooperativas”, declarou.

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Para Walter Cherubim, o tema do simpósio foi muito oportuno e bem escolhido e os dirigentes e representantes do Sistema Unimed e demais participantes foram unânimes ao apontar que o atual momento é ideal para a mudança. “Mas essa mudança não será fácil devido a vários fatores, inclusive culturais dos médicos e dos clientes”, disse.

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José de Oliveira e Silva, diretor de Mercado, acrescentou que é preciso mudar a mentalidade de médicos que estão atendendo, mostrar que uma boa consulta clínica, o acompanhamento do paciente, podem tirar o foco do excesso de exames, por exemplo. A Unimed Cerrado já está trabalhando neste sentido. Além de abordar a mudança do modelo assistencial em eventos, como o simpósio, a Federação prepara para o primeiro trimestre de 2017 um curso de pós-graduação em atenção integral à saúde.

Oficinas técnicas e homenagens também marcaram a programação

Além das palestras e amplos debates sobre os desafios e necessidade de mudança do atual modelo assistencial e da apresentação de exemplos bem-sucedidos de atenção integral à saúde, a programação do VII Simpósio da Unimed Cerrado também contou com oficinas técnicas nas áreas de mercado, jurídica (foto), contábil, de tecnologia da informação e um curso sobre gestão de custos das operadoras. As oficinas e o curso foram ministrados no dia 1º.

Ainda no dia 1º, durante a abertura oficial do simpósio, a Unimed Cerrado prestou uma homenagem a três grandes lideranças do cooperativismo brasileiro e mundial, falecidas em 2016: Edmundo Castilho, o fundador da Unimed Santos, a primeira do Sistema Unimed; Raimundo Viana de Macedo, ex-presidente da Unimed Santos; e o espanhol José Carlos Guisado, que era CEO da Fundação Espriu, na Espanha, presidente da Organização Internacional de Saúde Cooperativista e membro do Conselho da Aliança Cooperativa Internacional.

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